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Escolhendo sua Guitarra

Caio César
13 de abril de 2026
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Falando de forma grosseira, a guitarra se resume em três coisas: madeira, hardwares (“ferragens”) e captação (parte elétrica). Esses são os principais elementos que compõem uma guitarra. Em seguida, é importante considerar questões como: modelo do corpo, tipos de madeira (corpo, braço e escala), shape do braço (geometria) e, claro, a tocabilidade desse instrumento. No final das contas, se você levar todos esses itens em consideração, chegará a um resultado bastante satisfatório para o seu play. Lembre-se, guitarra é algo bem pessoal. Vejo muitas discussões na internet acerca desse tema e, no fim, poucos conseguem discernir o que é uma análise pessoal e o que, de fato, é a realidade da construção daquele instrumento.

Não adianta tocar com uma guitarra só pela estética. Por exemplo: você toca Trash Metal, usa uma Flying V só pela estética e não gosta da ergonomia da guitarra. Acredito que o seu play será afetado negativamente de alguma maneira. No fim, você não vai conseguir dar o seu melhor, pois a guitarra não te “ajudará”. Tudo precisa se encaixar para você dar o melhor na sua performance. E sim, uma boa guitarra bem dimensionada para você proporcionará um melhor resultado.

Um ponto superimportante: não confunda boa guitarra com guitarra cara e de marca. Não caia nessa ilusão de que um instrumento caro te fará tocar melhor. Ele vai te entregar sim um som “melhor”, maior estabilidade a intemperes, mas talvez não te proporcione uma tocabilidade mais coerente para o seu play. Na verdade, se você não souber extrair o melhor som de qualquer guitarra, de nada adiantará pagar um valor alto em uma.
Jogando um pouco mais de luz nesse assunto, se você comprar uma guitarra relativamente barata, mas que ela possua uma boa madeira (mecânica), o resto você pode trocar e adaptar, no que diz respeito à captação, ferragens e elétricos. No fim, ela vai soar muito bem, melhor que muitas guitarras da mesma faixa de preço e, quem sabe, até comparada às guitarras de preço um pouco mais elevado. Você gastará bem menos do que se gastaria se fosse comprar uma guitarra cara e irá possuir um instrumento de qualidade e que, provavelmente, não vai te deixar na mão ou te atrapalhar na hora do show. Uma guitarra de um valor mais elevado, muito provavelmente, já possuirá bons componentes, como por exemplo: madeiras de qualidade, captadores mais equilibrados e boas ferragens. Mas isso não significa que ela será uma boa guitarra para você, pois existem vários fatores atrelados a essa escolha. Como por exemplo: o modelo da guitarra, a geometria do braço, tamanho da escala, o peso do instrumento etc. Da mesma forma, quase que como uma regra, um instrumento de baixíssimo valor, provavelmente, não irá te proporcionar uma boa tocabilidade e nem te entregará um bom som. E já adianto, não vale a pena “tunar” ele, porque provavelmente a mecânica dele não vai acompanhar tão bem esse “upgrade”. Exemplo: trocar tarraxas e nut para melhorar a afinação do instrumento, onde talvez o problema da entonação esteja na construção do braço (e não nos hardwares). Existem algumas exceções para esses casos, mas, geralmente, não. Que fique bem claro: isso é a minha opinião.
Uma outra questão importantíssima: fiquei bastante surpreso com a quantidade de instrumentos falsificados que estão circulando por aí. É preciso ter muito cuidado com esses “instrumentos”. Em alguns classificados pela internet eles levam o nome de “Réplica Premium”, mas, nada mais é do que um objeto falsificado imitando uma guitarra. Portanto, NÃO COMPREM INSTRUMENTOS FALSIFICADOS. Aconteceu algo inusitado comigo: estava vendendo uma das minhas guitarras e um sujeito me ofereceu uma Fender Stratocaster American Standard. De cara, por foto, já achei estranha a guitarra. Analisei rapidamente e vi que se tratava de uma guitarra falsificada. Sem nem olhar para os detalhes estéticos, vi o serial number dela, e sabia que aquele serial não pertencia a uma American Standard e, sim, a uma American Deluxe. O sujeito talvez achasse que eu iria cair no “golpe” e insistiu na troca, mas obviamente que não caí e dispensei a proposta. Uma dica óbvia para não cair numa dessas é analisar o preço que geralmente elas são vendidas, pois não chegam a 10% do valor do instrumento original. Além disso, o acabamento delas entregam toda a farsa. Mesmo assim, se te faltar experiência nisso, consulte um amigo, mostre fotos para ele e, talvez, ele te ajude a não cair num golpe.

A guitarra precisa te dar uma voz. Ser aquela que só em você pegar nela já te dará vontade de compor algo. Ela precisa reproduzir bem o que você quer tocar, seus sentimentos, seu momento e, impreterivelmente, te fazer tocar melhor.
Já parou para pensar por que Andy Timmons usa aquela Ibanez AT 100 Sunburst bastante surrada? Detalhe: ela é o protótipo da linha signature dele, feita por volta de 1994. Um outro exemplo clássico: Tony Iommy do Black Sabbath, que usa aquela Gibson SG preta desde a década de 70. Justamente por esse fator, provavelmente essas guitarras reproduzem as “vozes” desses guitarristas. Através delas que grandes clássicos surgiram e talvez ainda surgirão outros.

O primeiro fator a ser levado em consideração é: qual o estilo que você toca? Partindo dele, você já define se a guitarra precisa ser de corpo sólido ou uma semi acústica, por exemplo, ou se você precisará de captadores humbucker ou single. Nesse momento não pense em marcas e sim na sonoridade que você deseja reproduzir. Recomendo muito que você faça uma pesquisa das guitarras que os seus ídolos usam. Acredito que será um bom parâmetro a ser levado em consideração na hora dessa escolha. Por exemplo: você quer tocar blues, quais são os guitarristas desse estilo que você mais gosta? Citarei alguns famosos, nesse estilo musical, e seus modelos de guitarra: Buddy Guy (Stratocaster), Joe Bonamassa (Les Paul, Stratocaster, Telecaster, entre outras), SRV (Stratocaster) e por aí vai. Mais uma vez, não existem regras para essa escolha. Como falei anteriormente, o modelo da guitarra precisa te ajudar a tocar melhor e a reproduzir o som que você deseja externar. Esses exemplos que citei foram dados para te ajudar a escolher, não é que eles sejam “obrigatórios” para se tocar Blues. Eu, por exemplo, utilizo uma Les Paul e uma Super Strato para tocar rock/metal. São modelos bem tradicionais dentro desses estilos. Mas, já cheguei a usar Stratocaster e Telecaster para tocar power e trash metal, pois não existe uma regra. Depois de muitos anos utilizando inúmeras guitarras, diferentes tipos de captadores, diversos calibres de cordas, que cheguei a esses modelos. Infelizmente (ou felizmente), nosso ouvido muda com o passar dos anos e nossa forma de tocar também. É uma evolução natural. Consequentemente, seus equipamentos acompanharão essas mudanças. Por exemplo: nunca fui um músico de tocar de Les Paul e sempre usei guitarras Super Strato com Floyd Rose. Mesmo ainda amando essas guitarras, sinto que me achei na LP, então percebi que o meu play realmente mudou. Contudo, é preciso saber e entender o que se quer, para não sair por aí gastando dinheiro à toa, perdendo tempo e se frustrando. A partir disso, você já tem um norte a seguir.

Vou citar, mais uma vez, meu exemplo, entrando em detalhes: sempre toquei com guitarras que possuíam pontes do tipo Floyd Rose com encordoamento de calibre 0.11mm. O conforto e a tocabilidade de uma guitarra com esse tipo de ponte são fantásticos. Mas, o principal motivo positivo para mim, era a estabilidade na afinação. Na hora que o nut é travado, a guitarra estará afinada. Em contrapartida, dá muito trabalho na hora da troca de corda e, se torar uma corda no meio do show, esqueça aquela guitarra e pegue outra. Então a um tempo atrás, conheci o Nut Tusq da Graphtech, que foi a melhor descoberta dos últimos tempos para mim. Porque, de fato, a afinação com ele fica muito estável, e se for colocada uma tarraxa com trava ela ficará tão estável quanto uma boa Floyd Rose. Não deu outra, vendi quase todas as minhas guitarras com Floyd Rose e hoje minha principal guitarra possui ponte fixa com o nut e tarraxa com trava da Graphtech. Adquiri mais praticidade na hora da troca de cordas e a mesma estabilidade na afinação que a Floyd Rose me proporcionava.
Outro tema muito discutido: o calibre das cordas. Existe a lenda de que cordas de calibres mais grossos possuem “mais som”. Desconheço essa informação. No meu caso diminuí o calibre de corda de 0.11mm para 0.10mm e de dois anos para cá passei a usar 0.9mm. Posso afirmar que minha técnica evoluiu muito e minha tendinite agradeceu bastante.

Naturalmente, você precisará testar vários modelos para chegar a um ideal. Sem exagero, essa pesquisa pode levar anos, como foi o meu caso. Mas, sempre tenha um foco e um direcionamento do que você quer.


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Comentários (1)

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Vini15 de abr.

Excelente. Isso vai me ajudar muito a escolher minha próxima guitarra!